No Mistério do Planeta ainda um moleque do Brasil

Só aos 30 anos encontrei a musicalidade dos Novos Baianos. Em uma tarde de trabalho fui ao seu encontro, com a música Swing de Campo Grande. Não foi na voz de Paulinho Boca de Cantor e Moraes Moreira, mas do grupo Casuarina do Rio de Janeiro.
O som me agradou os ouvidos e fiquei com o grupo na cabeça. Não procurei ouvi-los durante um tempo. Até que um dia, como por encanto ou segundo a música “e pela lei natural dos encontros”, ouvi e deleitei-me com Marisa Monte cantando ao lado deles, alguns de seus sucessos “A menina dança” com Baby Consuelo, “Besta é tu” com Moraes Moreira e o divino “Mistério do Planeta” que tem a combinação das expressivas vozes de Paulinho Boca de Cantor e Marisa Monte, a guitarra eletrizante de Pepeu Gomes e assim como a participação dos outros membros do grupo.

Marisa Monte e Novos Baianos – Mistério do Planeta
Luiz Galvão com o sentimento da música, “de um moleque do Brasil” realizou a parceria com Moraes Moreira dessa linda canção, que foi dada ao repertório da música nacional.
A música foi gravada para o álbum da banda de 1972, que teve o titulo de “Acabou Chorare”, também música de Galvão com Moreira.
Mistério do Planeta
Na pesquisa da história dessa canção, existe a menção de que é uma analise filosófica da vida. A vida do sitio em Jacarepaguá, que tinha tanta gente que fez o time de futebol “Novo Baianos Futebol Clube” (N.B.F.C.), que inclusive foi tema de um documentário no ano seguinte, em 73.
A física com ação e reação é uma reflexão no inicio da música com as frases “E pela lei natural dos encontros / Eu deixo e recebo um tanto”. A existência da vida e seu mistério com a brincadeira do “triplice mistério do stop”, onde se combina com as palavras, passado, presente e o futuro que é o stop, o fim da vida.
Novos Baianos – Mistério do Planeta
Mesmo com o fenômeno da vida, o artista se afirma um malandro, um menino do Brasil, identidade que é reforçada em todo o disco. De alguém que pede, mas também capaz de dar coisas ou pensar de maneira alternativa o fenômeno do mundo.
O som do violão que abre a música e os versos que vem um atrás do outro para o deleite do ouvinte tem sua energia de seduzir na voz do disco de “acabou chorare”, no clip em preto e branco do NBFC ou ainda na maneira mágica, criada a partir de um clima celestial, no DVD de Marisa Monte nos mostra essa “viagem musical” em parceria com os Novos Baianos.
A brincadeira das palavras, dos sons, da filosofia combinada com a melodia inicial do violão, em seguida por outros instrumentos, até a finalização com o solo de guitarra de Pepeu Gomes, me dá a idéia de liberdade e afirmação, de estar “Jogando meu corpo no mundo”.

Assim como a vontade de dividir a vida com alguém, pois no “futuro do stop”, não passamos de “moleques do Brasil” e temos que dar e receber “esmolas”. Para sentir e perceber “no que fica em cada um”.

Moraes Moreira – Mistério do Planeta
Acabou Chorare
O disco que abre com a música de Assis Valente, “Brasil Pandeiro” anuncia um pouco o desafio do grupo e do povo brasileiro com a frase, “Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”. O sucesso que se tornou na voz dos Novos Baianos, tinha sido recusado por Carmem Miranda, tendo sido cantado pelo grupo Anjos do Inferno.
“Brasil Pandeiro” foi à única música que não foi de autoria do grupo no disco. Mais sucessos se sucedem nas faixas seguintes como: “Preta Pretinha”, “Tinindo, Trincando”, “Swing de Campo Grande”, “Acabou Chorare”, “Mistério do Planeta”, “A Menina Dança”, “Besta é Tu” e “Um Bilhete para Didi”.
Conheça a letra:
Mistério do Planeta
Os Novos Baianos
Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do “stop”
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola
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