Três apitos: Sons da indústria de tecidos ferem coração de um apaixonado

No filme “Gonzaga – De Pai pra Filho” em homenagem ao Centenário de Luiz Gonzaga, Odaleia Guedes, interpretada pela atriz Nanda Costa, realiza uma singela homenagem a outro grande nome da música popular brasileira. O poeta Noel Rosa tem seus versos cantados pela personagem para Luiz, o “rei do baião”.
A citação da música de Noel pode ser entendida, pois a mãe de Gonzaguinha e companheira de Luiz era uma dama da noite e da música. Sendo que veio a falecer, com 22 anos, com a mesma doença do poeta da vila, que morreu aos 26, a tuberculose.

A composição de Noel canta a história de uma operária zangada com seu amor, atende ao chamado da indústria têxtil com seus apitos. O som é o ponto de partida e o desenrolar de uma situação de homem apaixonado, chateado com a situação de sua amada estar próxima a um gerente que dá ordens.
A tentativa de chamar sua atenção é perdida, pois ignora a buzina que a chama. Além de ignorar, ela religiosamente vaia o trabalho, mesmo com frio, aumentando os ciúmes e a angustia do poeta.
O poeta declara seu amor, sugere mudar de profissão, acha que ela sabe, mas não sabe dos versos dedicados. O amor de Noel é real, de uma operária que tem a disciplina do exercito da indústria, atendendo ao apelo da “Corneta/apito” para sua apresentação.
O poeta, a operária da fábrica, o guarda noturno, fazem parte do cenário musical feito pelo artista para mostrar um amor real e inimitável.
Escute a música no youtube:
 Veja Maria Rita – Três Apitos
 
Três Apitos
Noel Rosa
Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
Ou está interessada
Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Porque não atende ao grito
Tão aflito
Da buzina do meu carro
Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você
Nos meus olhos você lê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você
Sou do sereno poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto ao piano

Estes versos pra você

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