Elis: polêmica com o irmão do Betinho, o Henfil

Eu ainda não tinha três meses de vida quando Elis Regina faleceu no dia 19 de janeiro de 1982. Com 31 anos, é difícil negar sua influência na vida brasileira. Jovens cantarolam “Como nossos pais”, senhores recitam “O Bêbado e a equilibrista”, apaixonados “Tatuagem”, Jobinianos as “Águas de Março” e assim por diante, vamos ouvir Elis ao longo da sua influência pelo povo brasileiro.

Do lançamento de Viva a Brotolândia (1961) a Saudade do Brasil (1980), a voz conquistou o Brasil, teve altos e baixos junto à política brasileira. No ano de 1972, Elis convocou a nação a cantar com os ditadores militares, o hino nacional. O fato causou a ira de Henfil que a enterrou no Pasquim duas vezes naquele ano,  no Cemitério dos Mortos-Vivos do Cabôco Mamadô.
Para conhecer mais a participaçãopolítica de Elis, leia na Carta Capital: http://memoriaelis.blogspot.com.br/2012/10/carta-pos-morte-de-henfil-para-elis.html
Veja a carta de pós-morte feita por Henfil para Elis
 
Elis decidiu lutar pela vida e na campanha pela a Anistia decidiu gravar uma das maiores músicas de oposição ao regime “O Bêbado e a equilibrista”, justamente homenageando o irmão de Henfil, Betinho. 
Escute Elis Regina –  O Bêbado e a equilibrista
Elis teve uma participação política intensa, desde a liderança na organização da marcha contra a guitarra elétrica à organização de artistas como Fagner, Belchior, Gonzaguinha, João Bosco, Macalé e Carlinhos Vergueiro no apoio as greves do ABC de Lula, aderindo em 1981 a fundação do Partido dos Trabalhadores.
Sobre a polêmica com Elis, Henfil declarou a Regina Echeverria: – Foi igualzinho a hoje. De repente, os artistas são arrebanhados pelo Governo, só que – eu não sabia – debaixo de vara, de ameaças, para fazerem uma campanha da Semana do Exército. O que eu vi, na realidade, foi o comercial de televisão. Me aparece o Roberto Carlos dizendo: “Vamos lá, pessoal, cantar o Hino Nacional”. E, de repente, a Elis surge regendo um monte de cantores, de fraque de maestro, regendo o Hino Nacional. E nessa época nós estávamos no Pasquim e eu, mais que os outros, contra-atacando todos aqueles que aderiram à ditadura, ao ditador-de-plantão. (…). Eu só me arrependo de ter enterrado duas pessoas – Clarice Lispector e Elis Regina. (…) Eu não percebi o peso da minha mão. Eu sei que tinha uma mão muito pesada, mas eu não percebia que o tipo de crítica que eu fazia era realmente enfiar o dedo no câncer. Quando nos encontramos anos depois, (…) fomos jantar numa cantina perto do Teatro Bandeirantes e ela fez questão de sentar na minha frente. (…) De repente, ela começou a falar: “Pô, bicho, eu te amo tanto, bicho, te gosto tanto”. E eu já não estava gostando dessa história de “bicho”, porque eu não gostava do jeito que ela falava, nunca gostei. Daí me irritei e disse: “Elis, o que você está querendo dizer com isso? ”. Aí, ela começou a chorar. As pessoas na mesa enfiaram a cara no prato, todos sabiam o que eu tinha feito, só eu não sabia. Ela disse: “Pô, você me enterrou”, e começou a me esculhambar, dizendo que aquilo foi uma covardia, que ela estava ameaçada. (…) Elis nunca me perguntou se eu estava atacando porque ela estava defendendo um regime militar que queria matar meu irmão. (…) Resolvi engolir. Ela terminou de falar, entendeu meu subtexto: “Tá, Elis, eu aceito”. (…) Evidente que os militares estavam pressionando o país inteiro. Eu sabia disso, os militares faziam censura prévia no meu jornal (Pasquim), presença física, todo dia. (…) Então, tinha todo o direito de criticar uma pessoa que ia para a televisão se entregar. Eu não mudei em nada e ela percebeu isso. (…)
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