Margarida Alves: Somos todas Margaridas

 
Líder Campesina assassinada por latifundiários inspira milhares de trabalhadoras rurais na luta por seus direitos
Poucos dias após completar  50 anos, a trabalhadora rural e líder sindical Margarida Maria Alves foi cruelmente assassinada com um tiro de escopeta calibre 12, os assassinos miraram em seu rosto.

O crime tentava silenciar sua luta incansável pelos direitos dos trabalhadores rurais de Alagoa Grande, na Paraíba. Não funcionou, sua morte fez surgir milhares de margaridas Marcha das Margaridas, que agora se reúnem através da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, as federações estaduais e os sindicatos de trabalhadores rurais em uma gigante marcha que reivindica os direitos das mulheres no campo e na floresta, em Brasília. O movimento conhecido como Marcha das Margaridas já saiu as ruas em quatro edições, nos anos de 2000, 2003, 2007 e 2011.
Uma história de luta
Margarida foi eleita como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande  em 1973. As reivindicações como o registro de carteira de trabalho, 13º salário, jornada de trabalho de oito horas e férias motivaram a abertura de mais de 600 processos  na Justiça do Trabalho do Estado da Paraíba contra patrões exploradores.
A atuação da sindicalista levantou a ira dos proprietários da Usina Tanques, uma indústria de açúcar local. Margarida foi assassinada em 12 de agosto de 1983 em frente a sua casa, onde estavam seu marido e seu filho que sobreviveram ao ataque.
Os mandantes, Agnaldo Veloso Borges dono da usina e José Buarque de Gusmão Neto, seu genro e gerente da indústria. Os executores  policial Betâneo Carneiro dos Santos e os irmãos pistoleiros Amauri José do Rego e Amaro José do Rego, e Biu Genésio, motorista do opala usado para o assassinato, não pagaram pelo crime. Agnaldo era líder do grupo da Várzea, organização que compreendia 60 fazendeiros, três deputados e 50 prefeitos.
No filme “Uma questão de Terra” do diretor Manfredo Caldas, os familiares de Margarida Alves mostram as condições da casa e exigem justiça.
Trecho do Filme “Uma questão de Terra” sobre o crime
Saiba mais:
No dia 15 de Agosto de 1983, o Deputado Federal Raymundo Asfora denunciou na Câmara Federal o crime de Alagoa Grande, destacando o conflito das terras na região. O crime alcançou repercussão internacional por causa da impunidade. Após 29 anos, dois dos mandantes foram inocentados pela Justiça; Agnaldo Veloso faleceu sem ser julgado; Biu Genésio, Queima de Arquivo e os pistoleiros Amauri e Amaro José do Rêgo estão foragidos.
Discurso de Raymundo Asfora sobre Margarida Alves
Revolta de João do Vale
A produtora musical Lenita Beltrame, no documentário João do Vale – Muito Gente Desconhece, destaca a reação do cantor ao receber a notícia da morte de Margarida. “Em outubro de 83, a gente estava no Rio e João ficou sabendo da morte de uma líder campesina chamada Margarida, que havia sido morta por órgãos repressores, não sei se foi do governo, se foi latifundiário. E João programou pra aquele dia um show em desagravo a memória de Margarida. João juntou aquele monte de gente e começou falar. Demorou meia hora, chegou a polícia, cavalaria com cassetete e foi todo mundo em cana.”
Documentário João do Vale – Muita Gente Desconhece (trecho sobre margarida aos 3m13s)
 
Texto: Esdras Gomes
Revisão e arte: Marina Valente
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Um comentário

  1. O poder do latifundiário,massacra até hoje as aspirações de um povo que luta.
    O dinheiro absorve mais militantes para suas odes de ignorância.O povo que luta e que pouco tem, morrem ( OU SÃO CONVIDADOS A MORRER?) pelos covarde ambiciosos que mutilam vidas e derramam sangue inocente. Este, (O SANGUE) mistura-se á terra, e torna o ser que tombou, parte integrante do pó que renasce na esperança de tantos outros que por aqui seguirão passos deixados daqueles que muito lutaram pela liberdade quer seja do campo, ou da cidade.

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