Juarez Barroso: O cearense por de trás do segundo disco de Cartola

No livro de Amélia Soares A. Landim, sobre Juarez Barroso (2000) afirma-se que pelo anos 70, seu amigo Cartola, era um desconhecido pelas redações de jornais. No Livro declara “quanto ao mestre Cartola, Juarez o conheceu e se encantou com ele, quando trabalhava no Diário Carioca. Ninguém ali, exceto Juarez, sabia de quem se tratava” (LANDIM. 2000, p. 56).

Mais quem é Juarez Barroso?
Juarez Távora de Barroso de Albuquerque Ferreira Nasceu em Pernambuquinho, distrito de Guaramiranga durante visita de sua mãe ao Ceará, pois sua residência com o marido era no Rio de Janeiro. Nasceu no dia 19 de outubro de 1934. Filho de José Carlos Ferreira, tenente do exército e de Clélia Barroso de Albuquerque Ferreira. Seus dois primeiros nomes deve-se a admiração de seu pai, ao amigo Juarez Távora, cearense e integrante da Coluna Prestes.
Com a morte precoce do pai, sua mãe Clélia mudasse do Rio de Janeiro para Fortaleza, estabelecendo residência na antiga rua Visconde de Cauípe, nº 2574, a atual Avenida da Universidade. Estudou no antigo Colégio Cearense e cursou na Universidade Federal do Ceará, o curso de ciência jurídicas e sociais. Segundo o amigo Blanchard Girão “Logo nos primórdios do currículo, percebi sua pouco ou nenhuma vocação para as letras jurídicas. Outro era seu projeto de vida. Outras Letras que almejava perseguir” (LANDIM. 2000, p. 24).
Mas foi pelas mãos de Blanchard Girão que Juarez foi levado para o jornalista, como colaborador do “Antologia da Música Popular Brasileira” na Rádio Dragão do Mar. Em seguida, atuando como copidesque da Gazeta de notícias.
No ano de 1959, aconteceu a “Operação Sul”, segundo Landim foi a “transferência em massa de escritores cearenses para o Sudeste do País, Rio de Janeiro e São Paulo” (LANDIM. 2000, p. 24). Aonde foi trabalhar no Diário Carioca. No ano seguinte volta a Fortaleza, para uma matéria sobre o arrombamento do açude Orós. Em 62, volta para o Rio de Janeiro e vai fazer parte do jornal O Globo.
Em 1964, Juarez trabalhava na Rádio Dragão do Mar e só não foi preso, pois o capitão José Ribamar, seu cunhado, mandou ele ir para casa. A rádio foi encerrada a transmissão e os sindicalistas que estavam dando uma entrevista foram presos. Com a prisão dos sindicalistas e o fechamento da rádio, Juarez se apresenta no Esquadrão de Cavalaria Antônio Bezerra para ser preso junto com os colegas. Blanchard Girão afirmou para o livro de que “a rádio foi reaberta meses depois, completamente descaracterizada, sob o comando de um militar” (LANDIM. 2000, p. 31).
De volta ao Rio de Janeiro, em 1968, Juarez Barroso ganha o Prêmio José Lins do Rêgo da Livraria José Olympio Editora com o livro “Mundinha Pachico e o resto do pessoal” sobre histórias do bairro Jardim América, inclusive a personagem principal morava na Rua Julio Cesar, nº 1043. Decidiu lançar o livro fora do estado pois o personagens eram reais e moradores da Cidade de Fortaleza. Foi lançado após a sua morte, o livro Joaquino Gato (1976) e Doutora Isa (1978), também baseado em personagens do Ceará.

Juarez, Cartola e a cúpula do Samba
O estilo boêmio de Juarez Barroso e o violão leva Barroso a gostar de música brasileira, sendo elogiado por José Ramos Tinhorão como um dos maiores conhecedores do Brasil. Escreveu textos sobre Candeira, Elton Medeiros, Noel Rosa, Cartola, dentre outras sambistas e músicos.
Assumiu a produção do segundo disco de Cartola, pedindo ao também amigo Candeia, a encomenda da música “Preciso me encontrar” para o disco, sendo uma das duas faixas que não tem a autoria de Cartola. A outra é de Silas Oliveira, “Senhora Tentação” que está no lado B do vinil original.
Uma pergunta que fica no ar, será que a história da música foi sugerida pelo nosso cearense, pelo ambiente rural que menciona, que lembra nosso belo Maranguape ou as serras do Ceará. Pena que Candeia e Barroso se foram, mas fica a nossa imaginação a sonhar, que pode ter um pedacinho do Ceará nesta bela canção, uma das mais belas da música brasileira.
A música nunca foi cantada por Candeia, mas eternizada nas vozes de Cartola, Marisa Monte, Criolo, Tereza Cristina, Zeca Pagodinho, assim como outros arautos da música popular brasileira.
Bem que Juarez Távora poderia ser patrono de nosso carnaval em 2018, assim como seu prêmio que foi esquecido pela Prefeitura Municipal de Fortaleza.

Escute – Cartola II

 

Escute – Ainda há tempo/Preciso me Encontrar (Criolo)

Foto: Retirada do Livro Juarez Barroso das Edições Demócrito Rocha

Bibliografia:
LANDIM, Amélia Soares Almeida. Juarez Barroso. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2000.
SILVA, Esdras Gomes. “Candeia, Cartola e Juarez Barroso: Preciso me encontrar”, Acessado no dia 15 de junho de 2017 em: https://terradegigantes65.wordpress.com/2014/08/27/preciso-me-encontrar/#more-557.

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